Aldir Blanc

Origem
Rio de Janeiro, RJ
Em atividade
1964–2020
Gêneros
mpb, samba, bossa nova
Instrumentos
bateria

Biografia

Aldir Blanc Mendes (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1946 – 4 de maio de 2020) foi um dos maiores letristas, compositores e cronistas da história da música popular brasileira. Embora formado inicialmente em medicina como psiquiatra, ele gradualmente abandonou a medicina para se dedicar integralmente à sua carreira artística durante a década de 1970. Ao longo de uma carreira prolífica que abrangeu cinco décadas, ele é autor de mais de 600 canções e colaborou com cerca de cinquenta parceiros musicais diferentes, consolidando seu status como pilar central da MPB ao lado de ícones como Ivan Lins e Gonzaguinha.

Sua parceria mais lendária e duradoura foi com o cantor e compositor João Bosco, com quem escreveu mais de cem canções que definiram uma era de resistência e genialidade artística brasileira. A produção colaborativa da dupla gerou obras-primas atemporais como "O Bêbado e a Equilibrista", que se tornou um hino não oficial do movimento pela anistia durante a ditadura militar, além de "O Mestre-Sala dos Mares", "Dois pra Lá, Dois pra Cá" e "Corsário". Além de seu trabalho monumental com Bosco, Blanc também forjou parcerias excepcionalmente frutíferas com Guinga, Moacyr Luz, Cristovão Bastos e Maurício Tapajós, escrevendo sucessos gravados por grandes intérpretes como Elis Regina, Clara Nunes, Nana Caymmi e Fafá de Belém.

Além de seu gigantesco legado musical, Blanc foi um escritor e cronista estimado, contribuindo com colunas espirituosas e nostálgicas para publicações icônicas como O Pasquim e Jornal do Brasil. Suas crônicas capturaram o espírito boêmio do Rio de Janeiro, particularmente de seu bairro de infância, Vila Isabel, e foram posteriormente compiladas em livros celebrados como Rua dos Artistas e Arredores e Vila Isabel - Inventário de infância. Após um grave acidente de carro em 1991 e lutas subsequentes contra a fobia social, ele viveu em grande parte recluso em seu apartamento na Tijuca, mantendo conexões profundas com amigos e familiares por meio de telefonemas até o seu falecimento por complicações da COVID-19 em maio de 2020.