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Ciro Fernandes

Origem
Uiraúna, PB
Também conhecido como
Ciro de Uirauna
Em atividade
1950s–present
Gêneros
xilogravura, ilustração, pintura, poesia

Biografia

Ciro Fernandes, conhecido artisticamente como Ciro de Uiraúna, nasceu em 31 de janeiro de 1942, na cidade de Uiraúna, no sertão da Paraíba. Descendente de uma linhagem de artesãos nordestinos, Ciro demonstrou talento para o desenho desde a infância, utilizando materiais rústicos para suas primeiras criações. A seca de 1958 o levou a Natal e, posteriormente, aos 17 anos, mudou-se para São Paulo em busca de oportunidades, onde trabalhou como operário e pintor de paredes.

Sua jornada artística tomou um novo rumo ao se mudar para o Rio de Janeiro, onde na Feira de São Cristóvão, um importante reduto da cultura nordestina, começou a produzir xilogravuras para poetas de cordel. Essa iniciativa foi crucial para resgatar a tradição de ilustrar folhetos com arte original, em contraste com o uso crescente de fotografias. Ciro aprimorou sua técnica com mestres como Zé Altino e frequentou ateliês renomados, como o de Augusto Rodrigues, além de estudar litogravura e gravura em metal. Sua obra é profundamente ligada à cultura nordestina, à literatura de cordel e às crenças populares.

Além de sua atuação como gravurista e ilustrador, Ciro Fernandes também é poeta e pintor. Ilustrou capas de livros para renomados autores brasileiros como Orígenes Lessa, Raquel de Queiroz e Gilberto Freire, e também para discos de artistas como Zé Ramalho e Sérgio Ricardo. Recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras por seu trabalho no livro "Cordelinho". Suas obras integram acervos importantes, como o do Museu Nacional de Belas Artes, e ele é reconhecido por retratar a vida e a identidade brasileiras com um expressionismo dramático e apaixonado.