Dona Inah

Origem
Araras, SP
Em atividade
1954–2016
Gêneros
samba, choro, música popular brasileira
Instrumentos
voz, bandolim

Biografia

Ignez Francisco da Silva, conhecida artisticamente como Dona Inah, nasceu em Araras, interior de São Paulo, em 1935. Filha de um trompetista e rodeada por familiares músicos, ela estudou bandolim na juventude e integrou a Orquestra de Araras, embora tenha vivido uma infância marcada pelo trabalho duro como boia-fria em lavantações agrícolas. Na década de 1950, mudou-se para Santo André e deu início à sua trajetória artística ao vencer concursos de rádio e se apresentar com importantes orquestras paulistas e em bailes de gafieira.

Apesar do talento precoce, as dificuldades financeiras e a falta de apoio familiar a afastaram dos palcos por um longo período, durante o qual trabalhou como empregada doméstica, faxineira e cozinheira, conciliando empregos formais com apresentações esporádicas em bares e casas noturnas. Sua carreira experimentou uma marcante reviravolta a partir de 2002, quando participou do musical Rainha Quelé, homenagem a Clementina de Jesus que contou com a presença de artistas como Fabiana Cozza e Marília Medalha. Esse impulso a levou a gravar seu aclamado álbum de estreia, Divino Samba Meu, produzido por Hermínio Bello de Carvalho e lançado em 2004, o que lhe rendeu o Prêmio da Música Brasileira de revelação e projeção internacional em países como França, Espanha e Marrocos.

Em sua discografia posterior, destacam-se os álbuns Olha quem chega, inteiramente dedicado a composições de Eduardo Gudin com participações de nomes como Oswaldinho da Cuíca, e Fonte de Emoção, produzido por Zé Barbeiro com convidados do porte de Monarco e Delcio Carvalho. Diagnosticada com a doença de Alzheimer na década de 2010, Dona Inah encerrou sua carreira com uma emocionante apresentação no Sesc Pompeia em 2016 e faleceu em São Paulo no ano de 2022, deixando um legado inestimável para o samba tradicional e a música popular brasileira.