Itamar Assumpção
- Origem
- Tietê, SP
- Em atividade
- 1973–2003
- Gêneros
- vanguarda paulista, samba, funk, rock, reggae, música experimental, MPB
- Instrumentos
- vocais, baixo, violão
Biografia
Itamar Assumpção foi um pilar da cena musical independente brasileira, especificamente o movimento "Vanguarda Paulista" que surgiu em São Paulo no final dos anos 1970 e 1980. Nascido no interior de São Paulo e criado no Paraná, ele era bisneto de escravizados angolanos, uma ancestralidade que informou profundamente a complexidade rítmica de seu trabalho, que combinava batidas tradicionais do candomblé com sons contemporâneos. Assumpção era um músico autodidat que encontrou sua voz no baixo após ser inspirado por arranjos experimentais e rock internacional. Ao lado de suas filhas, Anelis Assumpção e Serena Assumpção, ele permanece como um símbolo de autonomia criativa e resistência contra as pressões comerciais da indústria musical.
Ele ganhou notoriedade por sua independência feroz, optando por lançar seu trabalho através de suas próprias microempresas em vez de se submeter a grandes gravadoras. Sua trilogia inicial de álbuns, incluindo "Beleléu, Leléu, Eu" (1980) e "Sampa Midnight" (1983), apresentou uma mistura única de samba, funk, rock e spoken word, frequentemente acompanhado por sua banda de apoio Isca de Polícia. Assumpção era uma figura frequente no teatro Lira Paulistana, onde colaborou com outras figuras de vanguarda como Arrigo Barnabé e o Grupo Rumo. Suas letras eram frequentemente satíricas e com carga social, rendendo-lhe o rótulo de "maldito", um termo que ele reconhecidamente não gostava, preferindo se autodenominar um "artista popular".
Ao longo dos anos 1990, ele continuou a inovar com projetos como a série "Bicho de Sete Cabeças" e seu tributo ao sambista Ataulfo Alves. Uma de suas últimas colaborações significativas foi com o percussionista Naná Vasconcelos, resultando no álbum "Isso vai dar repercussão". Assumpção faleceu em 2003 após uma batalha contra o câncer, mas seu legado foi preservado posteriormente através do lançamento do box "Caixa Preta", que incluiu a conclusão de sua trilogia "Pretobrás". Suas composições foram gravadas por vocalistas brasileiros de destaque, como Cássia Eller e Zélia Duncan, consolidando seu status como um mestre da canção brasileira contemporânea.