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Lina Pesce

Origem
São Paulo, SP
Anos em Atividade
1928–1980
Gêneros
choro, valsa, samba-canção, MPB
Instrumentos
piano, acordeão

Biografia

Lina Pesce nasceu em São Paulo no dia 26 de janeiro de 1913, destacando-se ao longo de sua trajetória como uma importante compositora e musicista brasileira. Recebeu suas primeiras instruções musicais de seu pai, o maestro italiano Giacomo Pesce, e iniciou sua carreira de composição no final da década de 1920, encerrando suas atividades criativas após o falecimento de seu marido em 1980. Ao longo de sua vida, produziu um extenso catálogo com mais de duzentas composições, transitando com versatilidade por gêneros como valsas, marchas carnavalescas, samba-canções e, especialmente, choros marcados por forte acento melódico da vertente paulista.

A artista ganhou projeção nacional e internacional com obras de grande repercussão, a exemplo do célebre choro "Bem-te-vi atrevido", gravado por diversos instrumentistas e lançado no exterior, além de ter composições integradas em trilhas sonoras cinematográficas. Casou-se em 1933 com Vicente Vitale, um dos fundadores da editora Irmãos Vitale, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde aprofundou seus conhecimentos teóricos e práticos com nomes como Tomás Terán e Lorenzo Fernandez. Com o passar dos anos, sua obra foi interpretada e gravada por grandes expoentes da música nacional, como Elizeth Cardoso, Agnaldo Rayol, Altamiro Carrilho e Sivuca, culminando em importantes álbuns dedicados ao seu repertório sob a regência de arranjadores como Radamés Gnattali.

Apesar da expressividade de sua obra e de sua admissão na Academia Brasileira de Música Popular, Lina Pesce acabou enfrentando um relativo esquecimento e ostracismo na historiografia musical contemporânea. Pesquisadoras como Anna Paes apontam que sua postura mais reservada, em contraste com figuras públicas mais ostensivas de sua época, e sua ligação com uma grande editora musical podem ter limitado a ampla circulação e os estudos especializados sobre seu legado. Mesmo assim, sua contribuição para a consolidação do choro e para a presença feminina na composição instrumental brasileira permanece inestimável, sendo resgatada em projetos fonográficos dedicados às mulheres do choro.

Discografia

  • Valsas Bem Brasileiras (1961)
  • Chorinhos Bem Brasileiros (1964)