Uakti
- Origem
- Belo Horizonte, MG
- Em atividade
- 1978–2015
- Gêneros
- instrumental, experimental, minimalismo, mpb, clássica contemporânea, world music
- Instrumentos
- pota de pvc, marimba d'angelim, marimba de vidro, iarra, chori smetano, torre, trilobita, flauta, violoncelo, percussão
Biografia
O Uakti foi um inovador grupo instrumental brasileiro formado em 1978 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Conhecido por sua identidade sonora única, o grupo utilizava instrumentos não convencionais desenhados e construídos por seu líder, Marco Antônio Guimarães. O nome do conjunto deriva de uma lenda indígena tukano sobre um ser mitológico cujo corpo perfurado produzia música quando o vento soprava através dele. Guimarães, um violoncelista com formação clássica, desenvolveu esses instrumentos usando materiais como tubos de PVC, madeira, vidro e metal, influenciado pelos ensinamentos de Walter Smetak e Ernest Widmer na Universidade Federal da Bahia.
A formação mais duradoura do grupo incluiu Guimarães, Artur Andrés Ribeiro, Paulo Sérgio Santos e Décio Ramos. Ao longo de sua carreira, eles colaboraram extensivamente com músicos brasileiros lendários, com destaque para Milton Nascimento, com quem gravaram o álbum Sentinela em 1980. O trabalho deles frequentemente mesclava estruturas clássicas contemporâneas com uma ressonância "primitiva" ou tribal, atraindo comparações com estilos minimalistas. A parceria do Uakti com a renomada companhia de dança Grupo Corpo resultou em várias trilhas sonoras aclamadas, incluindo 21 e I Ching.
O Uakti obteve reconhecimento internacional significativo no final dos anos 1980 e na década de 1990, gravando com grandes figuras internacionais e lançando vários álbuns pelo selo Point Music. Apesar de seu alcance global, eles permaneceram profundamente enraizados na cultura brasileira, gravando arranjos de obras de Heitor Villa-Lobos e Tom Jobim. O grupo encerrou suas atividades oficialmente em 2015 devido a pressões internas e financeiras, deixando um legado de inovação e uma vasta discografia que redefiniu os limites da percussão e da música instrumental no Brasil.