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Zélia Barbosa
- Origem
- Recife, PE
- Em atividade
- 1950s–1970s
- Gêneros
- mpb, folk, samba, bossa nova, conscious
- Instrumentos
- vocal
Biografia
Zélia Barbosa foi uma figura proeminente na música popular pernambucana, conquistando um espaço significativo tanto como atriz quanto como cantora durante as décadas de 1960 e 1970. Sua carreira começou no teatro no final dos anos 1950, período em que integrou grupos importantes como o TUCAP e o TAP, em Recife, atuando em peças como "A Farsa do Advogado Pathelin" e "Bodas de Sangue". Sua transição para a música a levou a integrar o Coral Bach do Recife, com o qual se apresentou internacionalmente, incluindo o "VII Festival Internacional da Juventude", em Moscou, em 1957. A carreira profissional de Zélia como cantora incluiu a participação em vários festivais e espetáculos musicais, com destaque para "Cantochão" e "O Samba, a Prontidão e Outras Bossas", onde dividiu o palco com artistas como Teca Calazans e apresentou um jovem Paulinho da Viola ao público recifense. Seu show solo, "Recital Zélia Barbosa", estreou em 1968, consolidando ainda mais sua presença no cenário musical brasileiro.
O trabalho de Barbosa frequentemente carregava uma forte mensagem social e política, alinhando-se ao movimento da MPB (Música Popular Brasileira) que despuntava e servia como forma de protesto contra o regime militar no Brasil. Seu álbum "Brasil – Sertão & Favelas", gravado na França e lançado em 1967, é um testemunho disso, explorando temas de dificuldades, exploração e injustiça social enfrentados pelo povo nordestino. O disco, produzido por Turíbio Santos e contando com músicos como Raquel Chaves e Nelson Serra de Castro, obteve reconhecimento internacional antes de ser lançado no Brasil. Essa postura artística a posicionou como uma voz para os marginalizados, utilizando sua música como um "veículo de expressão e ação para o povo brasileiro".
Além de seus empreendimentos musicais e teatrais, Zélia Barbosa também foi uma ativista dedicada e membro ativa da comunidade. Após se aposentar da carreira profissional, dedicou-se ao trabalho voluntário em organizações como a Federação de Bandeirantes do Brasil e a Médecins du Monde. Construiu sua vida familiar com o marido, Pedro de Souza, foi mãe de Pedro Francisco e Catarina, e avó. Zélia Barbosa faleceu em 2017, deixando um legado como uma artista multifacetada que usou seus talentos para refletir e abordar as realidades da sociedade brasileira.